Manifesto

27/03/2009 § 1 comentário

MANIFESTO

NADA SERÁ COMO ANTES

Rupturas da convergência digital: na comunicação, nas organizações e na sociedade

 

O cenário no qual estamos imersos é marcado por rupturas.

rupturas na sociedade, na política, na economia, na educação, na história, na ciência, no mundo do trabalho, nas cidades, nas organizações, nas hierarquias, nos processos criativos, na arte, na linearidade…na convergência digital.

Em todos os espaços, há rupturas.

As tecnologias emergentes e convergentes, o advento das novas gerações filhas da interatividade, a economia dos bens simbólicos, os processos co-criativos e rizomáticos e a subversão da hipertextualidade sinalizam com rupturas paradigmáticas profundas nos campos da comunicação, das organizações e da sociedade.

Essas mudanças demandam uma reinvenção cognitiva por parte de profissionais e pesquisadores, porque as teorias e os relatos que atribuíam sentido ao mundo já não são suficientes para dar conta da realidade mutável, mutante.  Porque os paradigmas até então vigentes mais nos cegam do que iluminam. Porque seus métodos mais engessam, esquartejam e fragmentam do que dão conta de uma nova totalidade complexa e sistêmica.

Parece compulsório indagar: que efeitos terão sobre a práxis comunicacional?  Qual o futuro dos cursos de Comunicação, cujos currículos ainda estão marcados pela linearidade cumulativa dos conteúdos, diante da subversão da interatividade e da hipertextualidade? Que impactos econômicos, culturais e sociais as rupturas já constatadas provocarão no âmbito das organizações sociais? Que novas competências precisam ser desenvolvidas? Que novos métodos e teorias emergirão da observação e da intervenção nesse cenário?

Por isso, diante desse cenário e dessas indagações, chamamos e conclamamos professores, pesquisadores, empresários, profissionais  e estudantes a:

Pesquisar, pesquisar, pesquisar.

Experimentar, experimentar, experimentar.

Criar, criar, recriar.

Sem medo…

Inquietar, provocar,

Instigar mentes

Multiplicar perspectivas

Superar explicações simplistas, rápidas e fáceis

Não fugir dos números nem dos algoritmos

Ao mesmo tempo,

Compartilhar, conviver e enfrentar o desconhecido

lançar-se ao infinito

com mais arte, mais imaginação

mais crítica, mais crítica, mais critica….

mais sensibilidade,

e, sobretudo,

mais solidariedade.

Nada será como antes!

Universidade Católica de Brasília

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação

Gabinete de Pesquisa  Rupturas da Convergência Digital: na comunicação, nas organizações, na sociedade

 

Primeiros signatários:

Prof. Dr. Aylê-Salassié Filgueiras Quintão

Prof. Dr. João José Azevedo Curvello

Prof. Mestrando Paulo Marcelo Moreira Lopes

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 43º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

05/05/2009 § Deixe um comentário

“Novas tecnologias, novas relações. 

Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade.”

24 de Maio de 2009

 

Amados irmãos e irmãs,

Aproximando-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais, é com alegria que me dirijo a vós para expor-vos algumas minhas reflexões sobre o tema escolhido para este ano: Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade. Com efeito, as novas tecnologias digitais estão a provocar mudanças fundamentais nos modelos de comunicação e nas relações humanas. Estas mudanças são particularmente evidentes entre os jovens que cresceram em estreito contacto com estas novas técnicas de comunicação e, consequentemente, sentem-se à vontade num mundo digital que entretanto para nós, adultos que tivemos de aprender a compreender e apreciar as oportunidades por ele oferecidas à comunicação, muitas vezes parece estranho. Por isso, na mensagem deste ano, o meu pensamento dirige-se de modo particular a quem faz parte da chamada geração digital: com eles quero partilhar algumas ideias sobre o potencial extraordinário das novas tecnologias, quando usadas para favorecerem a compreensão e a solidariedade humana. Estas tecnologias são um verdadeiro dom para a humanidade: por isso devemos fazer com que as vantagens que oferecem sejam postas ao serviço de todos os seres humanos e de todas as comunidades, sobretudo de quem está necessitado e é vulnerável.

A facilidade de acesso a telemóveis e computadores juntamente com o alcance global e a omnipresença da internet criou uma multiplicidade de vias através das quais é possível enviar, instantaneamente, palavras e imagens aos cantos mais distantes e isolados do mundo: trata-se claramente duma possibilidade que era impensável para as gerações anteriores. De modo especial os jovens deram-se conta do enorme potencial que têm os novos «media» para favorecer a ligação, a comunicação e a compreensão entre indivíduos e comunidade, e usam-nos para comunicar com os seus amigos, encontrar novos, criar comunidades e redes, procurar informações e notícias, partilhar as próprias ideias e opiniões. Desta nova cultura da comunicação derivam muitos benefícios: as famílias podem permanecer em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além disso a natureza interactiva dos novos «media» facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o progresso social.

Embora seja motivo de maravilha a velocidade com que as novas tecnologias evoluíram em termos de segurança e eficiência, não deveria surpreender-nos a sua popularidade entre os utentes porque elas respondem ao desejo fundamental que têm as pessoas de se relacionar umas com as outras. Este desejo de comunicação e amizade está radicado na nossa própria natureza de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente só como resposta às inovações tecnológicas. À luz da mensagem bíblica, aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação no amor comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer da humanidade inteira uma única família. Quando sentimos a necessidade de nos aproximar das outras pessoas, quando queremos conhecê-las melhor e dar-nos a conhecer, estamos a responder à vocação de Deus – uma vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.

O desejo de interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais na cultura contemporânea, na verdade são apenas manifestações modernas daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros. Na realidade, quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena humanos. De facto amar é aquilo para que fomos projectados pelo Criador. Naturalmente não falo de relações passageiras, superficiais; falo do verdadeiro amor, que constitui o centro da doutrina moral de Jesus: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» e «amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Mc 12, 30-31). Reflectindo, à luz disto, sobre o significado das novas tecnologias, é importante considerar não só a sua indubitável capacidade de favorecer o contacto entre as pessoas, mas também a qualidade dos conteúdos que aquelas são chamadas a pôr em circulação. Desejo encorajar todas as pessoas de boa vontade, activas no mundo emergente da comunicação digital, a que se empenhem na promoção de uma cultura do respeito, do diálogo, da amizade.

Assim, aqueles que operam no sector da produção e difusão de conteúdos dos novos «media» não podem deixar de sentir-se obrigados ao respeito da dignidade e do valor da pessoa humana. Se as novas tecnologias devem servir o bem dos indivíduos e da sociedade, então aqueles que as usam devem evitar a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes.

As novas tecnologias abriram também a estrada para o diálogo entre pessoas de diferentes países, culturas e religiões. A nova arena digital, o chamado cyberspace, permite encontrar-se e conhecer os valores e as tradições alheias. Contudo, tais encontros, para ser fecundos, requerem formas honestas e correctas de expressão juntamente com uma escuta atenciosa e respeitadora. O diálogo deve estar radicado numa busca sincera e recíproca da verdade, para realizar a promoção do desenvolvimento na compreensão e na tolerância. A vida não é uma mera sucessão de factos e experiências: é antes a busca da verdade, do bem e do belo. É precisamente com tal finalidade que realizamos as nossas opções, exercitamos a nossa liberdade e nisso – isto é, na verdade, no bem e no belo – encontramos felicidade e alegria. É preciso não se deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza, a experiência subjectiva sobrepõem-se à verdade.

O conceito de amizade logrou um renovado lançamento no vocabulário das redes sociais digitais que surgiram nos últimos anos. Este conceito é uma das conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Por isso mesmo, desde sempre a verdadeira amizade foi considerada uma das maiores riquezas de que pode dispor o ser humano. Por este motivo, é preciso prestar atenção a não banalizar o conceito e a experiência da amizade. Seria triste se o nosso desejo de sustentar e desenvolver on-line as amizades fosse realizado à custa da nossa disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na realidade do dia a dia, no lugar de trabalho, na escola, nos tempos livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano.

A amizade é um grande bem humano, mas esvaziar-se-ia do seu valor, se fosse considerada fim em si mesma. Os amigos devem sustentar-se e encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento dos seus dons e talentos e na sua colocação ao serviço da comunidade humana. Neste contexto, é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação. Estas redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos. Todavia devemo-nos preocupar por fazer com que o mundo digital, onde tais redes podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente acessível a todos. Seria um grave dano para o futuro da humanidade, se os novos instrumentos da comunicação, que permitem partilhar saber e informações de maneira mais rápida e eficaz, não fossem tornados acessíveis àqueles que já são económica e socialmente marginalizados ou se contribuíssem apenas para incrementar o desnível que separa os pobres das novas redes que se estão a desenvolver ao serviço da informação e da socialização humana.

Quero concluir esta mensagem dirigindo-me especialmente aos jovens católicos, para os exortar a levarem para o mundo digital o testemunho da sua fé. Caríssimos, senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida. Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização. A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste «continente digital». Sabei assumir com entusiasmo o anúncio do Evangelho aos vossos coetâneos! Conheceis os seus medos e as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. O coração humano anseia por um mundo onde reine o amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu significado na verdade e onde a identidade de cada um se realize numa respeitosa comunhão. A estas expectativas pode dar resposta a fé: sede os seus arautos! Sabei que o Papa vos acompanha com a sua oração e a sua bênção.

Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2009.

 

BENEDICTUS PP. XVI

 

© Copyright 2009 – Libreria Editrice Vaticana

Cosete Castro discute produção de conteúdo na convergência digital

23/04/2009 § Deixe um comentário

Cosette Castro

Cosette Castro

A produção de conteúdos para a TV Digital, inaugurada ontem no Distrito Federal, no contexto de convergência tecnológica, é o tema da palestra conduzida pela Professora Doutora Cosette Espíndola de Castro que acontecerá nesta sexta-feira, 24 de abril, a partir das 10 horas, no Auditório do Bloco M do Campus I da Universidade Católica de Brasília.

Cosette Castro é docente do Mestrado em TV Digital da UNESP, coordenadora do Centro Nacional de Referência em Inclusão Digital/Ibict, do Grupo de Trabalho de “Contenidos Digitales” da Sociedade da Informação para América Latina e Caribe e do GT “Conteúdos Digitais e Convergência Tecnológica” na INTERCOM. Trata-se da segunda etapa do Ciclo de Palestras e Debates sobre as “Rupturas da Convergência Digital: na comunicação, nas organizações e na sociedade”, que está sendo realizado pelo Programa de Mestrado em Comunicação da Universidade Católica, e que se estenderá até novembro de 2009, com o sentido de preparar “massa crítica” para participar do processo de adoção das tecnologias digitais no Brasil. Nessa etapa, está sendo discutido o estado da arte da convergência digital no País.

O Ciclo de Palestras e Debates representa também um marco na opção pedagógica da Universidade Católica pelo estudo e a experimentação com a convergência e as mídias digitais, o que significa em contraposição, o abandono gradual da formação de profissionais, professores e pesquisadores para os sistemas analógicos.

Na abertura do Ciclo, no mês de abril, foi divulgado o Manifesto Rupturas da Convergência Digital, com 14 teses iniciais sobre o tema em desenvolvimento no Gabinete de Pesquisa de mesmo nome do Mestrado em Comunicação da UCB. A participação no Seminário é gratuita e por adesão. É franqueada a toda comunidade acadêmica e empresarial do Distrito Federal. As discussões acontecerão ao longo de todo o ano, com palestras e debates mensais ou quinzenais, e demonstrações de tecnologias inovadoras, com a participação de pesquisadores, empresários e empresas brasileiras mais envolvidas com os estudos e as aplicações da tecnologia digital.

O Ciclo de Palestras e Debates, resultará, também, no lançamento de um livro sobre o tema “Rupturas da Convergência Digital” e uma declaração formal da Universidade de ingresso definitivo na era digital. O acompanhamento das discussões ao longo do ano poderá ser feito por meio do blog https://rupturasdaconvergenciadigital.wordpress.com.

Convergência digital é tema de Manifesto e debate na Universidade Católica de Brasília

30/03/2009 § Deixe um comentário

all

Texto e fotos: Nathália Kneipp

“Rupturas da convergência digital: na comunicação, nas organizações e na sociedade” é o tema de um grupo de pesquisa recém-criado na Universidade Católica de Brasília (UCB). Para lançar o Manifesto desse “gabinete” de estudos do Programa de Mestrado em Comunicação, houve uma palestra de André Barbosa Filho sobre “a oferta de novas tecnologias, um movimento que não tem fim”, realizada hoje (27) na UCB, campus de Taguatinga.

O diretor do Programa de Mestrado em Comunicação, João Curvello, esclarece que os sete gabinetes (ver quadro abaixo) “são espaços de indução e de produção de pesquisa na área de Comunicação, coordenados pelos professores permanentes do Programa de Mestrado”. O ciclo de debates acontecerá até novembro, com encontros mensais do grupo.
Mercado promissor

A palestra do jornalista, professor e assessor da Presidência da República, André Filho, coincide com a data de inauguração do Design Center do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A (Ceitec/MCT) em Porto Alegre (RS), instituição que terá seu foco em três nichos do mercado mundial de semicondutores: RFID, wirelles communication e digital multimidia. Filho aponta o fato de o Brasil ter a sua primeira “sala limpa” como a porta de entrada no seleto grupo de países que dominam a microeletrônica avançada e podem produzir e comercializar semicondutores e sistemas de circuitos integrados (chips).

Filho menciona que o Ceitec lançou, em setembro de 2008, o primeiro chip nacional para rastreabilidade bovina, um primeiro dispositivo de uma linha completa de produtos de rastreabilidade animal chamados de ATD (Animal Tracking Device) que serão fabricados na unidade e que contemplarão, posteriormente, as cadeias de suínos e aves.

Se para os pecuaristas as novidades são alvissareiras, para os profissionais da Comunicação e, especialmente, para os interessados em comunicação digital, mídias digitais, convergência digital, as novas perspectivas do mercado resumem-se no título do manifesto lançado nessa ocasião: “nada será como antes”.

O co-autor de “Comunicação Digital” e “Mídias Digitais” aconselha aqueles que têm interesse em atuar nessa área a conciliar presença no mercado com participação na universidade; engajamento nas pesquisas:. “quem faz deve pensar e quem pensa deve fazer”, sentencia.

Integração, palavra da vez

Não é à toa que o sistema escolhido para a TV Digital brasileira comece com a palavra “integração” e o Manifesto termine com a palavra “solidariedade”. Esses dois “pólos” resumem toda a estratégia e expectativas com a convergência digital que está se alastrando no País.

ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting  Terrestrial) é o padrão japonês de TV Digital que foi adotado no Brasil. André Filho exibiu dois vídeos que ilustram os recursos que possibilitarão que a TV se torne um meio (crescentemente disponível nos celulares) que permita interatividade, multiprogramação, com um leque de opções e funções. No site g1.com.br/jornalnacional, ao digitar no campo de busca a expressão “tecnologias de comunicação e informação”, descortina-se um conjunto de artigos que elucidam o que ocorrerá na era do terabyte.

Bernardo Hernández, diretor de marketing do Google, é um dos entrevistados, no vídeo exibido, e traz o seu ponto de vista sobre mudanças, tendências e reflexões sobre as novas tecnologias e os novos conteúdos. Hernández mantém um blog em que discute, entre muitos assuntos, a rapidez com que a Internet está recebendo a migração de jornais que encerraram os seus negócios “em papel”, como o americano San Francisco Chronical ou o espanhol SegundaMano, e passaram a ter edições exclusivamente on-line.

Conferência Nacional de Comunicação

Uma faixa no fundo da sala em que ocorreu a palestra renova os votos dos estudantes “por uma Conferência Nacional de Comunicação ampla e participativa”. O timing é perfeito, pois, no dia 25 de março, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) aprovou requerimento da deputada Cida Diogo (PT-RJ) que cria uma subcomissão especial que ficará encarregada de acompanhar os debates preparatórios e durante a Conferência prevista para o início de dezembro deste ano. A subcomissão sobre “a Conferência será uma das três subcomissões especiais da CCTCI a serem instaladas neste ano, além de três outras subcomissões permanentes: de Radiodifusão, de Comunicação e de Ciência e Tecnologia” .

Filho descreveu a complexidade do portfólio “TV Digital brasileira”. Tais assuntos devem ser tratados nessa Conferência, como é o caso do uso racional do espectro de frequência; definições sobre quem ocupará a TV Digital nos próximos anos, questões relacionadas à legislação sobre outorga e monopólio midiático dos donos das emissoras, entre tantos outros temas. Para o palestrante, é imperativa a participação pública, pois a tecnologia deve ser útil aos anseios da população. Alerta os estudantes de comunicação sobre o processo de transição que está em curso rápido, “é preciso se capacitar com afinco para estar à altura dos desafios da convergência digital”, conclui.

andrejoao
img_0035
img_0042-1
img_0048img_00491

_____________________________________________________

Temas dos gabinetes de pesquisa em comunicação do Programa de Mestrado da UCB:

1. Mídia Organizacional
2. Mídias Digitais
3. Artes Tradicionais e Cultura Mediática
4. Narrativas Publicitárias na Mídia
5. Mídia e Cidadania
6. Comunicação, Espiritualidade e Arte na Cultura Mediática
7. Rupturas da Convergência Digital: na comunicação, na sociedade, nas organizações

Primeiras teses, primeiras provocações

27/03/2009 § Deixe um comentário

Rupturas na Comunicação

1  – A áreas profissionais de Comunicação terão ampliadas as suas atividades  como  produtoras de conteúdos, para além do entretenimento, numa perspectiva de educação pública, associando-se, por meio das novas tecnologias, às expectativas das gerações de jovens ao mesmo tempo consumidores e produtores de bens simbólicos.

2  –  A  economia dos produtos simbólicos vai cobrar de volta do jornalista a sua competência analítica, porque a informação já não será  um monopólio corporativo. Será mais sofisticada em termos de conteúdo e linguagem,  e passará a exigir  habilidades hoje incomuns, já que tenderão a prevalecer a imediaticidade,  a qualidade e a criatividade,

3 – Espera-se que as rupturas da convergência digital tragam novos formatos e conteúdos e novas linguagens para a mídia e para além do próprio campo.

4 – Os jornais impressos perderão a prerrogativa da veiculação de fatos novos diariamente, porque não conseguirão trabalhar em tempo real e nem com interativamente e a flexibilidade de um “smartphone”, por exemplo.  Jornais diários analógicos tenderão, portanto, a desaparecer ou tornarem-se mais próximos das revistas.

5 – A televisão sobreviverá na medida em que incorporar tecnologias sensíveis de alta qualidade, e apresentar propostas alternativas de programação que possam conduzir o telespectador às cenas dos eventos e a novas experiências sinestésicas por meio da tecnologia da terceira dimensão e da holografia, por exemplo.

6 – A publicidade tende a ter uma boa parcela migrada definitivamente para os telefones, PC pessoais,  painéis eletrônicos –  a holografia poderá ter finalmente seu espaço –  apresentando-se com outros formatos e também com linguagem interativa.

7 – A entrada na era da comunicação digital poderá  fechar muitos dos cursos e faculdades de comunicação pelo país, que se apresentam mais como representantes do capital, e não com a responsabilidade da formação de massa crítica, ou que sejam propulsores de caminhos para o bem estar social. Os que estiverem apegados ao analógico serão os primeiros a perderem o rumo, se não se adaptarem, de imediato, às rupturas da convergência.

8 – As revisões curriculares exigirão extremo bom senso, porque as assimetrias no acesso e no uso das tecnologias convergentes não terão, de imediato, a abrangência da universalização.

9 – Paralelamente, o governo  brasileiro anuncia, como alternativa de expansão do próprio Produto Interno Bruto (PIB) nacional,  a perspectiva de investimentos volumosos nos anos que se seguirão  sob a égide do que está sendo chamado de a “economia dos bens simbólicos”.

10 – É urgente, ainda, o financiamento da pesquisa para a produção de conteúdos, mas uma produção refletida, com bases conceituais e educativas alinhadas a esse novo tempo, que vá além da retórica do óbvio e das frias e eqüidistantes descrições e análises arbitrárias.

 Rupturas nas Organizações

11 – No campo das organizações, a convergência digital provoca já há alguns anos uma redefinição e flexibilização de objetivos, fluxos e processos. Aponta para uma relação sem vínculos, sem estabilidade, em que a tecnologia permite concentrar poder sem centralizar e leva a reinvenção descontinuada.

12 –  A concepção dinâmica dos sistemas e a oportunidade de abordá-los desde os paradigmas da complexidade permitem pensar a comunicação organizacional como uma matriz relacional e participativa, concebida como lugar de encontro e de geração de significações, espaços e símbolos compartilhados.

Rupturas na Sociedade

13 – Na sociedade, os sinais de ruptura já são observados nas instituições, nos sujeitos, na sociabilidade, na reconfiguração cultural, nas relações entre gerações, no sistema produtivo, no conhecimento, nas relações de poder. Em todas as dimensões da vida em sociedade, há rupturas que reforçam a necessidade de aportar novos mapas que permitam aos sujeitos navegar e responder às demandas e oportunidades desse mundo em fluxo e em transformação.

TV digital no ar: recepção ou decepção!

27/03/2009 § Deixe um comentário

26/03/09

Por Paulo Roberto Elias

Existe um apelo intrínseco na recepção de televisão digital, seja lá em que sistema for: chama-se HDTV.

Mas, a migração da transmissão analógica terrestre para a digital envolve um outro aspecto, de natureza estratégica: a transmissão analógica vai acabar em algum momento do futuro.

No Brasil, ainda resta muito tempo, mas em outros países, como, por exemplo, os Estados Unidos, a parada recente da TV analógica transmitida por algumas emissoras deixou muita gente sem ver televisão, o que é profundamente injusto, quando se considera que as áreas sem cobertura de sinal digital por lá ainda são muitas.

 No Brasil, estima-se existir cerca de 96% de domicílios com pelo menos um aparelho de televisão, na região sudeste, e cerca de 88 a 94% nas outras regiões. Isso, somado ao baixo poder aquisitivo de uma parcela significativa desta mesma população, tornará o processo de migração do analógico para o digital um problema de proporções consideráveis.

A mudança da transmissão analógica para a digital exige também a aquisição e instalação de um conversor, para todos os aparelhos de televisão que não estiverem equipados com o circuito de sintonia e o decodificador de sinal digital. Este conversor é na realidade um receptor completo, dotado de circuitos demoduladores e demultiplexadores, e potencialmente capaz de transformar o sinal original em algum sinal prontamente utilizável pelo usuário, de acordo com o tipo de televisão que ele tem.

O sinal digital transmitido vai ao ar modulado analogicamente em UHF (Ultra High Frequency), ocupando as faixas de frequência que vão do canal 14 ao canal 69 (470 a 806 MHz), mas somente 6 MHz são destinados a uma dada emissora, que poderá usar esta faixa para transmitir um único ou vários sinais combinados, naquilo que é chamado de “multiprogramação”.

 O sinal que sai da emissora tem o mesmo formato do sinal digital que sai de um DVD ou outra mídia parecida: a imagem é misturada (multiplexada) com o áudio, e ambas essas informações vão ao ar na forma de um único bitstream. Dentro do conversor, este sinal é separado (demultiplexado) e processado para ser entregue nas saídas de vídeo e de áudio do mesmo.

Fonte: AdNews

Conceito de Linkania abre espaço para o exercício da cidadania na web

27/03/2009 § Deixe um comentário

 18/03/09


Nos últimos anos, a popularização da internet abriu margem ao aparecimento de inúmeras ações e movimentos com o intuito de estimular e abrir as portas para o exercício da cidadania por meio da web. A mais recente iniciativa nesse sentido atende pelo nome de Linkania, uma corruptela formada pelas palavras link e cidadania, que consiste em um espaço virtual para a prática da cidadania. Em vez do espaço físico de uma cidade, o relacionamento e a troca de informações são feitas por meio de links na web, criando assim uma relação de intercâmbio de conteúdos e produção de conhecimento.

O conceito foi apresentado nesta quarta-feira, 18, no Web Expo Forum 2009, em São Paulo, por Hernani Dimantas, coordenador do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária (Lidec), do projeto Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP). Ele explica que a internet não é mais uma ferramenta, mas um espaço de interação que funciona da mesma forma que qualquer outro, através da lógica da comunidade. A idéia principal por traz da prática da cidadania por meio da rede é a rapidez no acesso e na produção de conteúdo, em que o compartilhamento de idéias pode facilitar a obtenção de resultados.

Dimantas observa que a internet acabou por se tornar uma grande encurtadora de distâncias, e a interatividade constante fez com que o tempo de reação a uma determinada informação mudasse. “A internet é atemporal e a interação constante entre todos mudou a forma como as informações são acessadas.”

Para o pesquisador da USP, a lógica da comunidade empregada na rede criou novas perspectivas de trabalho, em que as pessoas se preparam para interagir virtualmente, mas transportam essas experiências para o mundo off-line, trabalhando sempre dentro da esfera colaborativa.

Outro ponto abordado por Dimantas foi o uso de internet nas escolas. Ele enfatiza que os diretores pedagógicos precisam analisar a situação sob a ótica de como a internet está sendo usada para ajudar no conteúdo das aulas, e não se as crianças a tem usado de forma correta. O coordenador do Lidec alerta que as escolas ainda não entenderam que para usar a rede é preciso perceber que ela é livre para todos e para qualquer coisa, e não adianta querer que ela se torne apenas mais uma ferramenta de apoio pedagógico. Ele frisa que não há como separar a internet “na escola” da web “fora da escola”. Contudo, Dimantas avalia que ainda vai demorar para que as instituições de ensino se conscientizem disso.

 
TI INSIDE – ONLINE

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.