Primeiras teses, primeiras provocações

27/03/2009 § Deixe um comentário

Rupturas na Comunicação

1  – A áreas profissionais de Comunicação terão ampliadas as suas atividades  como  produtoras de conteúdos, para além do entretenimento, numa perspectiva de educação pública, associando-se, por meio das novas tecnologias, às expectativas das gerações de jovens ao mesmo tempo consumidores e produtores de bens simbólicos.

2  –  A  economia dos produtos simbólicos vai cobrar de volta do jornalista a sua competência analítica, porque a informação já não será  um monopólio corporativo. Será mais sofisticada em termos de conteúdo e linguagem,  e passará a exigir  habilidades hoje incomuns, já que tenderão a prevalecer a imediaticidade,  a qualidade e a criatividade,

3 – Espera-se que as rupturas da convergência digital tragam novos formatos e conteúdos e novas linguagens para a mídia e para além do próprio campo.

4 – Os jornais impressos perderão a prerrogativa da veiculação de fatos novos diariamente, porque não conseguirão trabalhar em tempo real e nem com interativamente e a flexibilidade de um “smartphone”, por exemplo.  Jornais diários analógicos tenderão, portanto, a desaparecer ou tornarem-se mais próximos das revistas.

5 – A televisão sobreviverá na medida em que incorporar tecnologias sensíveis de alta qualidade, e apresentar propostas alternativas de programação que possam conduzir o telespectador às cenas dos eventos e a novas experiências sinestésicas por meio da tecnologia da terceira dimensão e da holografia, por exemplo.

6 – A publicidade tende a ter uma boa parcela migrada definitivamente para os telefones, PC pessoais,  painéis eletrônicos –  a holografia poderá ter finalmente seu espaço –  apresentando-se com outros formatos e também com linguagem interativa.

7 – A entrada na era da comunicação digital poderá  fechar muitos dos cursos e faculdades de comunicação pelo país, que se apresentam mais como representantes do capital, e não com a responsabilidade da formação de massa crítica, ou que sejam propulsores de caminhos para o bem estar social. Os que estiverem apegados ao analógico serão os primeiros a perderem o rumo, se não se adaptarem, de imediato, às rupturas da convergência.

8 – As revisões curriculares exigirão extremo bom senso, porque as assimetrias no acesso e no uso das tecnologias convergentes não terão, de imediato, a abrangência da universalização.

9 – Paralelamente, o governo  brasileiro anuncia, como alternativa de expansão do próprio Produto Interno Bruto (PIB) nacional,  a perspectiva de investimentos volumosos nos anos que se seguirão  sob a égide do que está sendo chamado de a “economia dos bens simbólicos”.

10 – É urgente, ainda, o financiamento da pesquisa para a produção de conteúdos, mas uma produção refletida, com bases conceituais e educativas alinhadas a esse novo tempo, que vá além da retórica do óbvio e das frias e eqüidistantes descrições e análises arbitrárias.

 Rupturas nas Organizações

11 – No campo das organizações, a convergência digital provoca já há alguns anos uma redefinição e flexibilização de objetivos, fluxos e processos. Aponta para uma relação sem vínculos, sem estabilidade, em que a tecnologia permite concentrar poder sem centralizar e leva a reinvenção descontinuada.

12 –  A concepção dinâmica dos sistemas e a oportunidade de abordá-los desde os paradigmas da complexidade permitem pensar a comunicação organizacional como uma matriz relacional e participativa, concebida como lugar de encontro e de geração de significações, espaços e símbolos compartilhados.

Rupturas na Sociedade

13 – Na sociedade, os sinais de ruptura já são observados nas instituições, nos sujeitos, na sociabilidade, na reconfiguração cultural, nas relações entre gerações, no sistema produtivo, no conhecimento, nas relações de poder. Em todas as dimensões da vida em sociedade, há rupturas que reforçam a necessidade de aportar novos mapas que permitam aos sujeitos navegar e responder às demandas e oportunidades desse mundo em fluxo e em transformação.

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